Cine & Book: A natureza aos olhos de Christopher McCandless

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 Olá pessoal! Não abandonei vocês, é que nesse bimestre a faculdade virou uma loucura. Bom, quem acompanha o blog desde o início sabe que já fiz este post sobre Into The Wild, porém como ele estava lá, perdido, decidi refazê-lo, mas adaptando para a nossa querida tag Cine & Book :D Então espero que gostem. Eu tenho o livro, o filme, até o cd da trilha sonora, de fato é uma história impressionante, quem conhece, curta e relembre, e quem ainda não conhece, se delicie e depois de ler, corre assistir ao filme LOL

 Vamos lá! 
    

 A sociedade é sufocante, o teatro vivido todos os dias para encenar a vida de uma família feliz é nauseante, tanto o vivendo como o observando de fora. As pessoas se enganam cada vez mais, rodeadas por falsidades e mentiras e afundam-se numa cova sem fim que elas mesmo cavam. Aí vem aquela necessidade de deixar tudo de lado, experimentar o simples, tentar se conectar com algo que há muito está perdido, excluído, vem a vontade de sentir um novo ar, ver uma nova cor, sentir um calor diferente.  A boca seca e o coração dispara, a escolha é difícil, muitas coisas nos prendem ao sistema, ao cotidiano, esse falso sentimento de segurança, principalmente. Mas é preciso, em alguns momentos, bater de frente com si mesmo para descobrir qual será o próximo passo, então você olha suas opções e cria ainda mais dúvidas, mas aos poucos, com uma passo de cada vez, você começa a enxergar a luz no fim do túnel e escolhe... A segurança é claro.

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 Cargas de dúvidas, repulsas, questões inquietantes. Algumas pessoas simplesmente se desprende disso tudo, traçam novos rumos em suas vidas, com o medo na retaguarda e uma ambição natural que transcende qualquer reflexão. Não é fácil compreender como algumas pessoas largam tudo, o cotidiano, a rotina, o materialismo (não total), e aventuram-se em uma vida "livre". Quando nos desprendemos de tudo, caímos no mundo, ficamos vulneráveis, mas será que pode ser mais vulnerável do que estar no mundo hardcore em que vivemos? Como eu disse, são muitas questões, e algumas delas serão triviais na vida de Christopher McCandless.

“Happiness only real when shared.”¹

  Quando li Into The Wild (Na Natureza Selvagem), fiquei fascinado pela forma como Jon Krakauer apresentou a aventura do Chris. Não será spoiler se eu disse que ele morreu, pois é esse um dos pontos principais da história, portanto ele não teve a chance de contar como tudo realmente aconteceu, mas pelos relatos colhidos, fragmentos de textos e tudo o que esse jovem rapaz deixou para traz, podemos concluir que ele
desafiou-se, confrontou-se e acredito que em nenhum momento ele se arrependeu.

“The very basic core of a man's living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences, and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun.”²

 As palavras e frases, pensamentos deixados por ele no decorrer da viagem, não só mostram o êxtase que Alexander Supertramp (pseudônimo adotado por McCandless) ao ver o mundo da forma como ele queria, mas expõe a paixão que ele sentia pelo momento, pelo real carpe diem
 O livro apresenta-se como uma análise do caminho percorrido por McCandless, onde ele buscava chegar ao Alasca e lá passar um período em contato com a natureza e nada mais, com perspectivas a partir de todo o material salvo deixado por ele, pelas pessoas com quem ele cruzou nos seus anos de caminhada e da família.

“No longer to be poisoned by civilization he flees, and walks alone upon the land to become lost in the wild.”³

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 Na Natureza Selvagem foi também produzido em filme, o que ficou especialmente lindo. Sean Penn dirigiu o filme e fez um ótimo trabalho. A fotografia é algo magnífico, muito bem elaborada, assim como o enredo, e arrisco dizer que foi a melhor atuação de Emile Hirsch, pois ele consegue expôr os possíveis sentimentos de Alex em todas as cenas, e de uma forma, uma riqueza tão imensa de detalhes, que deixa qualquer pessoa emocionada. A romantização da aventura de Supertramp foi bem elaborada, foi um produto para o cinema mas sem deturpar a história e tirar a sua essência, sabe? Manteve a intenção, expôs a alegria, as conexões, a solidão, os pensamentos, as dores, etc.

 Gosto particularmente deste livro e desta pessoa que Christopher foi, pois sinto uma afinidade imensa com algumas palavras e sentimentos que ele deixou visíveis em cartas e mensagens durante sua viagem. Não que eu pense em largar tudo, mas as vezes sinto essa necessidade de me isolar, olhar além do horizonte. As leituras apresentadas na história, como Thoreau, London, são muito significantes para mim, meu tipo de leitura favorita, então creio que isto também tenha me atraído para conhecer a história deste jovem aventureiro.

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Cenas do filme Into The Wild

 Into the Wild é uma leitura e também um filme recomendadíssimo! É uma experiência para momentos em que tu precise se isolar, para momentos compartilhados, para momentos felizes e também aqueles pequenos momentos depressivos, traz um pouco de tudo.
 Devo destacar também a trilha sonora, quase em sua totalidade composta por Eddie Vedder. O álbum é todo magnífico, as trilhas dão um sentimento mais intenso as cenas, e também a leitura, as letras são carregadas de uma interpretação sensível de todos os possíveis momentos experienciados e uma reflexão sobre a natureza, a vida, o destino.

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Eddie Vedder e o diretor de Into The Wild, Sean Penn
 É isso pessoal, espero que tenham gostado e experimentem! 
 Até a próxima (que será logo pois tem Aléatoire e Arte para postar ainda!)

*¹²³ - Citações de Christopher McCandless

Colorindo o Blues distorcido de James Marshall "Jimi" Hendrix


 Olá <3 Como vai? Espero que bem. Estive preparando um post aleatório com algumas coisas que aconteceram e também o que vai rolar, mas assim... Estou bem atolado de trabalhos da faculdade e tem um estágio pintando, então vou ficar até a próxima semana sumido, desculpem :( Mas eu volto, e vou voltar com um Cine & Book delicioso! Que tal? Queria muito gravar um dia na faculdade e tal, ah, vamos ver rs
 O que vou compartilhar hoje é um pouco do trabalho desse fim de semana, uma arte encomendada pelo Gui, um cara que sempre tatuar comigo. Por ora vou postar a arte, depois de pronta a tattoo, eu trago o resultado pra tu em um Aléatóire, feito? Então vamos lá!

Play!


 A ideia era uma imagem do grande Jimi Hendrix colorido e usando aquarela, então vou iniciar com dois vídeos e jogar embaixo as imagens e por fim a arte pronta, espero que gostem. Eu me bati muito para chegar nesse resultado, imaginei infinitas possibilidades para fazê-lo, sério, diversas formas, do mais detalhado ao minimalista, imaginei piras com arco-íris e cores em escalas que eu nem sei distinguir, mas no final, me peguei ouvindo 12 String Blues e pensei: "FODA-SE", não precisava calcular algo criativo ou que ficasse bonito, eu precisava apenas sentir, pois reproduzir algo do zero é fácil, mas reproduzir algo com uma base é totalmente diferente... Eu me deixei levar, ergui o som peguei algumas fotos de referência e comecei a traçar, e traçar, e traçar, e logo vieram as cores, senti falta de rabiscos e quando vi, a merda estava feita huehuehuehue o Hendrix estava no papel! 
 Talvez alguns tenham acompanhado o processo pelo meu Instagram (@chilligrr), de qualquer maneira, espero que vocês curtam :D

Traços com grafite
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Um pouquinho do preenchimento
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Imagens em 4 partes
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Finalizado
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 O processo todo deve ter levado umas 2h, trabalhei com Aquarela Pentax, Aqualine, pincéis variados e Canson 300g Aquarelle. Então, o que acharam? 

A Chuva


Uma trovoada ensurdecedora me despertou, como um rugido feroz e esmagador, intimidando até a mais corajosa das criaturas. Respingos caiam sobre minhas partes desnudas, como garoa leve e monótona, um assobio longo incomodava meus ouvidos, e minhas narinas se esforçavam para respirar debilitadas pela gripe. A escuridão dominava o ambiente. Levantei-me, escorando-me nas paredes, explorando o lugar, procurando uma porta. De tempos em tempos, relâmpagos explodiam do lado de fora e o flash repentino expunha fragmentos do local por um breve segundo.
Ouvi gritos, agoniantes, e me alarmei de imediato. Consegui encontrar uma porta, saindo para o que eu imaginei ser um corredor. Os gritos continuavam, avancei, deslizando a mão sobre a parede descascada, até encontrar outra porta, e detrás dela vinham os gritos, desesperados. Ouvi algumas vozes e risadas maquiavélicas, tratei de empurrar lentamente a madeira da porta, imaginei que fosse velha, a superfície enrugada e desgastada empurrava farpas contra meus dedos.
Outro grito ecoou, quando um relâmpago estourou do lado de fora e flagrei brevemente a silhueta de dois homens, e uma mulher ao chão. Avancei de imediato sobre eles, as cegas. Abracei o primeiro, empurrando-o contra a janela, os vidros estouraram, ele me empurrou para fora, senti a chuva me molhar, passei as mãos em volta e agarrei firme um caco de vidro, cravei-o com força no pescoço do desconhecido. Ele gritou como um porco, então ouvi seu corpo tombando. Ouvi passos se intensificando em minha direção, e quando senti o outro homem tocando meu ombro, acertei um tapa em sua face, e quando atordoou, girei-o em torno do meu corpo e o empurrei contra a janela quebrada, e de lá ele despencou.

Respirei fundo, ainda com a adrenalina aflorada. Agachei-me e encontrei a moça, pelos seus soluços e corpo trêmulo. "Está tudo bem" eu disse, abracei-a e a ergui. Com a mão ensanguentada, senti os pedaços daquela maldita casa rasgando o pouco que restava da minha pele enquanto eu a passava nas paredes me guiando em busca de uma saída. Logo, a chuva cobriu todo meu corpo, e o inferno ficaria para trás.


***